sábado, agosto 07, 2010

E começa.

Hoje acordei com uma sensação de que deveria ir para a faculdade. "Vá, terá aula, não terá trote, vá," etc. E, contrariando minha espetacular inércia de ficar na cama e inveja da minha colega de quarto que não teve aula hoje de manhã, levantei, degladiei internamente sobre o assunto e me arrumei para sair.
Naturalmente, estava atrasada.
Há erros nessa vida que precisamos cometer. Às vezes repetidamente.
Em vez de colocar um tênis, vi meu sapatinho roxo de borracha, calcei e saí às pressas. Na metade do caminho, senti meus calcanhares sendo esfolados, mas continuei.
Chegando ao prédio Belas Artes, do outro lado do campus (meu caminho é só descida, e aí todo santo ajuda), eu não tinha idéia de onde era minha aula. Pensei que seria só chegar lá e perguntar.

Sala FTC040 - Imagem Técnica.

A moça da secretaria da Artes Visuais não estava lá. Fui até a guarita de Serviços Gerais e, apesar do moço ter sido atencioso, ele parecia tão perdido quanto eu. O prédio estava relativamente vazio e fiquei andando em círculos nos três andares até encontrar a sala no fim do corredor do último andar por:
1. A porta estava aberta.
2. Ter reconhecido uma menina que estava na quarta na palestra para os calouros.
Entrei com a típica cara de barata tonta (embora acredite que estava com minha típica expressão de isopor) e 15 minutos atrasada. O professor foi bem legal e não fez caso, ajudou-me a encontrar um banquinho e entrei na roda. Ah sim, quando me sentei, erguei a barra da minha calça para ver meu calcanhar sangrando. Legal. Pelas faces entediadas e sonolentas de meus companheiros de classe, logo percebi que a aula seria longa. Não estava enganada. O professor, muito tranquilo, era incrivelmente repetitivo. 5 horas da mesma aula com o mesmo professor.

Fotografia.

O início da aula foi praticamente inteiro sobre Câmera Obscura. Tudo bem, interessante, mas já vi muito disso nas aulas de física (chatérrimas aulas de física) no colegial.
Vimos uma feita de papelão, foi passada de mão em mão para vermos a paisagem lá fora de ponta cabeça por ela e até que foi diferente.
Após anunciar o intervalo umas quatro vezes, fomos liberados e saí perambulando perdida. Coloquei crédito no meu celular e, sem nada para fazer, puxei assunto com umas meninas do meu curso. Elas eram bem legais. Ficamos batendo papo, até dar acabar nossa meia hora a toa e voltamos para a sala.
Vimos mais sobre Câmera Obscura e finalmente passamos para o assunto em foco pelas próximos 4 aulas (então trocaremos de professor e matéria): fotografia.
Os slides mostraram trabalhos de Cartier Bresson e um outro artista plástico que tinha um nome complicado e fazia montagens com polaroids parecendo mosaicos.
O professor explicou (um milhão de vezes) que apresentaremos um trabalho fotográfico sobre... rufem os tambores!... qualquer coisa. Qualquer coisa. Hum...

Bê a ba

Como eu e as meninas com as quais eu estava formávamos um grupo de 5, já formamos o grupo. O que me foi conveniente e tranquilizante, pois descobri que meus horários não são aleatórios e malucos, eu realmente estou na turma A e B (não na turma A OU B, mas nas duas ao mesmo tempo). Algumas das meninas estão só na A, outras só na B e uma outra está na mesma situação do que eu. Ou seja, não teremos todas as mesmas aulas, o que poderia dificultar o contato.

Por fim, ele nos liberou quase 40 minutos mais cedo. O que não me significou muito.
Saindo do prédio, andei até o ponto de ônibus para pegar a linha B (na terceira parada já me deixaria na saída certa para descer até a pensão). Mas nããããooo... eu tinha que ir e cometer o mesmo erro de quando fui parar do outro lado do país em Taiwan quando peguei o trem errado (afinal, ele vai parar na minha cidade de qualquer jeito, é caminho! Ah-ham...). Peguei o Branquinho B-1, que me levou até a portaria 3 (eu desço na 2... é longe, ainda mais quando seu pé está sangrando).
Matei tempo, uma moça comentou comigo sobre o motorista do ônibus ter mentido para ela (ele disse que não voltava, mas voltou), conversei com minha mãe pelo celular, matei mais tempo, comentei com a mesma moça que o ônibus estava demorando (um rapaz respondeu que é o que mais demora... convenientemente), fiquei passando as músicas no meu MP4, resisti bravamente a tentação de pegar o Interno B quando o vi descendo a rua (lógica: para ele estar ali, já fez sua rota e está voltando para a EBA, então me levaria a estaca zero), comi um bolinho estrategicamente guardado na bolsa para aplacar a fome... Passou-se mais de hora até o maledeto Interno A chegar.

Aqueles sapatos de plástico, apesar de eu adorá-los, já tinham machucado meu pé antes. Eles são confortáveis, mas não para subidas, descidas, ruas de paralelepípedos e cortar caminho no bosque. Estava a ponto de tirá-los e chegar na pensão a pé, mas a elegância falou mais alto e deixei isso para quando vi meus adorados chinélos, praticamente reluzindo para mim, no quarto. Sei muito bem que esse erro não será único, pois trouxe sandálias que farei questão de usar em algum momento e que vão machucar meus pés. Mas é a vida.

Essa foi minha manhã. A tarde foi desinteressante. Trabalho doméstico, recolhi minha roupa do varal, encostei ela num canto para passar amanhã. Também encontrei (com a ajuda de uma veterana da pensão) um pseudo-secreto armário da cozinha (teoricamente, cada menina teria seu espaço) e arrumei minhas coisas de cozinha lá (até então estavam no meu quarto). Pendurei minhas roupas no cabide e esvaziei a mala...
A cada dia, está mais definitivo.

E como estou escutando isso incessantemente, vou deixar aqui registrado para eu olhar para trás um dia e lembrar:
Nothing Suits Me Like a Suit - How I Met Your Mother
http://www.youtube.com/watch?v=mbBs2OcR8a8

por ás 5:12 AM

 

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